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7.8.17

Dona Flor e seus dois maridos - notas de aula

Luiz Sergio Coelho de Sampaio
para José Miguel Wisnik

Uma primeira tentativa de mobilização das lógicas – no sentido amplo que lhes damos, incluindo as lógicas fundamentais, transcendental (I) e da diferença (D), e ainda as lógicas derivadas, dialética (I/D), clássica (D/D) e a mãe de todas, a lógica hieperdialética (I/D/D) – como instrumento de análise lingüística/literária foi feita por Edson Garcia em sua tese de doutorado A Difração da Pessoa no Discurso – As linguagens e suas gramáticas (1).

Ainda na década de 80, não sabemos mais precisar se antes, durante ou depois do trabalho de Garcia (à época, ele era funcionário da EMBRATEL sob a nossa direção), esboçamos a análise de Dona Flor e seus dois maridos de Jorge Amado, cujo esquema vai mais à frente reproduzido, com muito poucas alterações em relação ao original, que ainda preservamos na forma de transparência para retro-projeção. Esta “análise lógica” vem, desde então, sendo de hábito apresentada em nossas aulas, ultimamente, nos cursos de Filosofia da Cultura no IFCS-UFRJ, com o propósito de ilustrar a amplitude de uso e o poder das lógicas.

Estas notas, em particular, foram provocadas por dois eventos recentes. O primeiro, de caráter emocional, foi um telefonema recebido em fins de 2000 do sempre sensível e amável José Miguel Wisnik, que nos dizia já estar, por uns longos três anos, para nos contar que vinha se valendo de algum de nossos escritos e/ou idéias lógicas para ajudar na compreensão da problemática cultural brasileira, sempre com sucesso entre seus alunos. Agradecemos imensamente, só reclamando que tivesse demorado tanto para nos passar tão grata informação. O segundo, de caráter mais intelectivo, foi termos percebido, de repente, no transcurso de uma aula no IFCS-UFRJ, que a literatura hoje, mais do que as histéricas, constitui a maneira de, momentânea e imaginariamente, escapar ao mal estar trazido pelo processo de cálculo do mundo, no qual obsessivamente se empenha a Modernidade – este é mesmo o seu desejo mais essencial. A ficção artística (aí incluindo-se também o cinema) estaria funcionando como uma válvula de escape, evitando assim a implosão das subjetividades castradas por todos lados. Os principais antecedentes desta conjectura, que me lembre, foram:

a) o mito da origem da sexualidade a partir do andrógino, tal como narrado por Aristófanes, no diálogo platônico Banquete;

b) a observação que os autores, como igualmente os leitores de ficção só alcançam a mútua compreensão se se deixam elevar a um “plano de existência andrógina”; quem não se apaixona/apieda por Ana Karenina, mesmo sabendo que ela vem ao mundo pela pena de um velho barbudo?!


c) que a posição andrógina é instável (ver figura 1) por estar no extremo superior de um processo de auto-edificação, o que significa que a assunção de gênero é uma condição de estabilização, permitindo ulteriores e mais complexas construções sociais.




Figura 1 – Agregação além de I/D/D entre humanos


d) que Hölderlin pirou, na verdade, por querer se manter no mais elevado, mais perto dos deuses, e por isso caiu de costas (como poderia acontecer a uma criança que após subir a escada de um brinquedo de escorrega, insistisse em se manter de pé lá no topo, para mais curtir a conquista das alturas, ou seja, da contra-gravidade); daí, certa “frieza sexual” na sua poesia.

e) A observação de Yerushalmi, em seu livro Zakhor, que a forte tensão interna no judaísmo de nosso tempo entre a tradição (I) e o historicismo atual (I/D) não se resolverá por um ou outro lado, mas pela verdade dos romancistas: O Holocausto já engendrou mais pesquisas históricas que qualquer acontecimento da história judaica, mas não tenho dúvidas de que sua imagem esteja sendo forjada, não pela bigorna do historiador, mas pelo cadinho do romancista.

E acrescenta: O divórcio entre história e literatura tem sido calamitoso para a narrativa histórica em geral e a judaica em particular,.... Aqueles que estão alienados do passado não podem ser levados a ele somente através da explicações; necessariamente também de evocação.

Além da “análise lógica” de Dona Flor, costumamos fazer uma breve incursão em A Insustentável Leveza do Ser, de M. Kundera, que nos parece um autor especialmente apropriado para este tipo de exercício intelectual. É óbvio que a presente “análise lógica” só ganhará força definitiva quando aprendermos a utilizá-la “contra” quaisquer obras maiores da literatura (aliás, também como um meio para ratificar ou retificar juízos que tais).

Quanto a Dona Flor, cremos que a figura 2, abaixo, diz quase tudo. Fica evidente que Jorge Amado, para enfatizar a qualidade de super-mulher (baiana) de Dona Flor, a faz capaz de ocupar sozinha, na plenitude, as duas posições lógicas femininas: mãe (D) e filha ou virgem (I/D).

Em contrapartida, reforçando esta imagem, precisa convocar dois homens para ocuparem as posições masculinas: de um lado, Vadinho, aquariano, disponível e inaugural (I); de outro lado, o Dr. Teodoro, obsessivo, quadrado, cheio de meias e gavetas (D/D) (para admitir algum pendor artístico neste último, teria que ser o de mero executante, ademais, de um instrumento que assume em geral a condição de fundo/baixo; em resumo, o de fagoteiro (está certo?!).




Figura 2


Caso isto representasse a estrutura social baiana estaríamos diante de um mero ”relatório” (de um pós-modernoso estudo de culturas!) e não de um verdadeiro romance. A obra de ficção emerge precisamente de um giro de 90 graus, dissimulando a crua verdade social, na qual um pai de família (em geral da classe abastada, mas não só) tem uma esposa em casa, que transforma em mãe, e sustenta uma jovem (filha) na “rua” (3), de quem é amante.

Surge então, o caráter incestuoso recôndito das relações: ele dorme com a mãe em casa e com a filha na “rua”, o que faz, para muitos, a trama ainda mais “excitante”. Dormindo com três gerações, entra no “ritmo” do fluir feminino. (Ver figura 3) Ora, como as mulheres são telescópicas, saindo umas de dentro das outras, indefinidamente, a elas se “emparelhando” (na cama), o maleável baiano conquista, sem muito esforço – que ele não é de duro ferro, a exemplo dos pernambucanos –, enfim, a vida eterna, now.





Figura 3




NOTAS

1. GARCIA, E. A. A Difração da Pessoa no Discurso – As linguagens e suas gramáticas, Faculdade de Letras - UFRJ, 1986.


2. Idêntico fenômeno ocorre no reino das partículas elementares, onde próton e nêutron fazem as vezes de masculino e feminino, para permitir a construção, em níveis, do mundo físico tal como o conhecemos.



Para detalhes ver SAMPAIO, L. S. C. de, A re-significação cósmica do homem e do processo de sua auto-realizaçào cultural in Filosofia da Cultura (no prelo).

3. As relações entre a casa e a “rua” são bem mais complexas e menos anedóticas, do que em geral se supõe. A considerações lógicas (ressuscitadas, em que pese Lévi-Strauss e seus assanhados epígonos em Pindorama), aqui ilustradas, podem agora abrir novas e mais criativas perspectivas para o nosso “pensamento” antropológico.

10.4.17

Quarta capa para segundo volume de História da filosofia no Brasil de Jorge Jaime

Quando o professor Jorge Jaime teve a afabilidade de enviar-me cópia do que escrevera sobre meus trabalhos filosóficos, a sair no quarto volume de sua História da filosofia no Brasil, pôs anexo o índice geral da obra. A princípio, confesso, impliquei com a enorme largueza que ele dera ao termo filósofo que permitia ali incluir tanta gente, tamanha diversidade de assuntos e ângulos, quadrantes e níveis.

Tempo passado, conhecendo melhor o Autor e suas intenções, vi-me compelido a retificar aquele juízo: em lugar de frouxidão de critérios lá estava, escancarada, a generosidade e, sobretudo, a consciência acesa de estar cumprindo um dever informativo da maior relevância para com a nossa gente e a nossa cultura. Na circunstância - a da consagrada avareza de nossa paroquial classe ilustrada - a omissão não teria sido, sim, o pior pecado? Na verdade, em que outro sítio poder-se-á encontrar as informações que ali superabundam? Quem dedicaria tanto de sua vida a ler, recensear e comentar tamanha quantidade de textos? E para tanto, quem mais disposto a pacientemente ouvir e registrar do que, em sua gratuita soberba, logo atirar pedras?

O presente trabalho do professor Jorge Jaime é, sem dúvida, o corajoso passo inicial, iniludível, para que se possa um dia conhecer e, sem arraigado mazombo preconceito, avaliar a real extensão e valor do pensamento filosófico no Brasil.

Este segundo volume de História da filosofia no Brasil, abrange os pensadores nascidos entre 1873 e 1909 onde vamos encontrar nomes da maior significação para a cultura brasileira, como Oswald de Andrade, Pontes de Miranda, Gilberto Freire e Eurialo Canabrava.

Luiz Sergio Coelho de Sampaio
membro da Academia Brasileira de Filosofia
8 de janeiro de 1998  

6.4.17

A questão cultural em âmbito nacional e empresarial

Nada mais irritante do que ver repetida à exaustão que o social comporta três dimensões básicas - o político, o econômico e o social. Um erro tão grave quanto dizer que o corpo humano tem três parte: cabeça, tronco e corpo humano. Até uma criança de 10 anos acharia isto ridículo, mas no Brasil ninguém dá importância para este absurdo lógico; ninguém em termos, porque pelo menos um punhados de espertos tem o maior interesse em que isto continue.

Na verdade, o social - seja uma nação, uma cidade ou uma empresa -, objetivamente considerado comporta necessariamente o aspecto político, econômico e cultural (e não o social que já é o todo). Ver figura 1. Assim é, não por uma questão de gosto pessoal, mas, por uma imposição lógica, como veremos.








Quando nos referimos a um ser social, estamos falando de um conjunto de indivíduos. Ao mesmo tempo é um múltiplo, por serem diversos os elementos que o integram, sempre guardando um certo grau de autonomia; ao mesmo tempo, cedem parte de sua individualidade em benefício da preservação do todo. Logo, só há ser social como síntese do um e do múltiplo. Aquilo que faz do ser social um, é precisamente a cultura, O econômico, por natureza, age no sentido da diferenciação. O econômico proporciona o diferencial de autonomia dos indivíduos, dos subgrupos, regiões etc. A atividade econômica como meio, é regida justamente pela eficácia e eficiência, por isso não serve a nada, muito menos à integridade do ser social. Como vimos este é o papel primordial da cultura.

Como se resolve este conflito essencial/? Precisamente pelo plano político, que tem a função de equilibrar as forças conservadoras centrípetas da cultura c as forças diferenciadoras centrífugas do econômico.

Fica de pronto evidente que num grupo social em que a cultura é frágil, mistura ainda não consolidada, desconsiderada, o econômico domina inteiramente o político, como é o caso do Brasil, onde a política é um mero balcão de negócios e negociatas. Os Estados Unidos representam exatamente o caso oposto.

A grande conclusão que daí se tira é que quanto mais sólida a cultura, mais um grupo social pode se dar ao luxo da competividade, tanto externa quanto interna.

Focalizemos a problemática empresarial. Como decantar as excelências da competitividade para fora e vender a idéia da cooperação interna. Em princípio é a própria incoerência.

Nosso sistema eleitoral em quatro turnos – o farsismo

Repete-se pelos quatro cantos do País que nosso sistema de eleição presidencial se dá em dois turnos E na verdade, escancarada e deslavada., ela, pelo menos para os candidatos oposicionistas se dá deveras, em quatro turnos.

No turno zero, o candidato precisa se assegurar que não está preliminarmente vetado pelos grades interesses econômicos nacionais e internacionais, pela grande mídia jornalística e televisiva e ainda, a se comprometer secretamente, que se eleito, concederá imunidade absoluta ou divina ao seu antecessor e seus asseclas, por tudo os crimes e contravenções que cometeram, tanto os culposos quanto os dolosos. Obviamente o candidato da situação fica automaticamente isento desta prestação, pois está tacitamente estabelecido que ele ainda que anuncie demagogicamente mudar tudo, jamais irá tirar a pedra que será posta em cima da História recente do País.

Chegamos assim ao primeiro turno, na verdade já o segundo. Unanimidade nacional, dificilmente o grande candidato oposicionista não estará no segundo turno. Enquanto estiver com intenções de voto inferiores a 50% ninguém lhe apoquentará a vida., A disputa impiedosa, um vale tudo ao pé da letra, colocará o candidato situacionista neste “primeiro turno”.

No segundo turno, que sabemos terceiro, todas as baterias são apontadas contra o candidato de oposição que deve ser pintado como o agente do caos, obsessivamente sedento de índices de inflação, adepto da pedofilia e necrofilia metafórica. Caso, entretanto, sua chances de vitória permaneçam, poderaá arrasar o candidato situacionista mas na condição de evitar atos tresloucados do diretor de cena ao qual deve enviar um recado de garantindo concessão de imunidade divina, na condição, naturalmente, do “bom comportamento”. .O candidato oposicionista estará então irremediavelmente lançado ao lixo da história. Bem, nesta variante, a oposição ganha o segundo turno, isto é, já o terceiro e vai então enfrentar o quarto turno..

O quarto turno, o mias decisivo em que o vencedor oposicionista se dará conta que não vivemos num regime democrático, mas em pleno farcismo. Voltam então mesa decisória o seleto grupo de eleitores do primeiro turno.

Ao contrário do que se poderia pensar, ser eleito com sólida maioria não é nenhuma garantia de governalidade, pois os grandes eleitorados mais não conta.

Aí vem a lista definitiva de compromissos: os contratos serão todos respeitados, os legai e em especial os fraudulentos? Sobre a equipe dirigente anterior não se abrirá qualquer processo, mesmo que tenha feito uma programação de contratados em dolar a vencer, cuidadosamente escolhidos em função do calendário eleitoral, com dezenas de bilhões de dólares de prejuízo para os cofres públicos; não irá se aproveitar do poder de concessão e outros para criar redes midiáticas que possam concorrer com as já existemtes? E vai por aí. SE ceder, vira um De la Rua, se resistir, vira um Chaves contra a paredeMas, felizmente, existem outras alternativas, se deixarmos de pensar apenas em economia e nos engajarmos no verdadeiro jogo de médio e longo prazo, o história da cultura;

.

Onde anda esta tal de ética, de que hoje tanto se ouve falar?

A União da Ilha, ao comprometer-se a fundo com a tríade bom, bonito e barato, se quis platônica, na circunstância, melhor diríamos, anacrônica. Enquanto isto, outras Escolas se concentravam no barato, isto é, na racionalidade e na eficiência medida, preocupadas apenas em agradar jurados e somar pontos; estas sim, queriam de fato ingressar sem retorno na Modernidade, na era da ciência e sua verdade imperante.

A verdade da ciência é a verdade como mera adaequatio, ensinou-nos Heidegger; também, verdade nem parcial nem total, verdade que não quer de modo algum saber de si, seja lá o que for, precisaria Lacan; arte da modelagem, disputariam os “economistas” do BNDES. É insurgindo-se contra isto que a União insiste há anos na Marquês de Sapucaí, constrangendo e distribuindo culpas pelas arquibancadas e por milhões de telas de TV, como se fora um cadáver vivo rítmico convulso policrômico e insepulto. Considerações estéticas até que podem encontrar um lugarzinho no processo de edificação da civilização científico-tecnológica (Einstein, por exemplo, achava que às vezes sim), mas considerações éticas não combinam em absoluto com o adequado, com o ser adaptado, com o mundo-à-mão-na-roda, mundo-apenas-meio, mundo reduzido à pura geometria diferencial (cremos que ele também achava assim). Ética e tribunaisque nâo arrisquem um olho por debaixo da venda, nesta oportunidade, só serviria mesmo para atrapalhar.

Se Deus não existe, então tudo estará permitido postulava o personagem dostoievskiano. Ora, Deus está morto, nos informa Nietzsche fiel ventríloquo do grave Zaratustra. Em decorrência, sabendo-se ambos de acordo, pelo menos a partir de então, tornava-se tudo válido, vale dizer, um vale-tudo em busca da maximização de lucros. De fato, hoje, é o que se vê: grupos de altos funcionários governamentais se apossam de um gigantesco patrimônio público e se dão de barato, em conjunto, a seus senhores no exterior; o grande dignitário como convém, tudo preside, tirando sua justa cota parte – uma sinistra coleção de “fotos históricas” ao “lado” de seus mandatários e mais duas dúzias de comendas e títulos Honoris Causa –; as empresas, ao market share sobrepõe o mind share, ficando assim desimpedidas para penetrar (estuprar, seria o termo mais apropriado) o imaginário dos povos, cafetizar seus heróis, reprocessar e vender na bacia das almas seus valores mais caros, e por cima, induzir-lhes de quebra algum comportamento (economicamente) correto; a intelectualidade “classe média”, não importa se de direita, centro ou esquerda, nada ensina mas aprende rápido: empresaria a si mesma, passando a competir no ramo da prostituição desenfreada – de cócoras põe toda sua atenção nos micros, dando literalmente as costas para os macro-poderes aparentando que goza e ainda canta (como pode?!); a medicina organizada, faz-se assim congênere do crime, inventa doenças, adia a morte certa e realiza operações – corta, serra, queima a laser etc. – para completar vazios nos cronogramas de suas equipes e nas planilhas de uso de suas ilhas computadorizadas; laboratórios de bio-teratologia clonam e bordam, embaralham ADNs de plantas e animais para fazê-los propositadamente mais monstruosos e portanto mais rentáveis; e vai por aí a fora, sem quaisquer limites.

E o maior de todos os contos do vigário (este agora, um pobre diabo, um reles sem-Deus): falamos do mercado de capitais que, por definição, não existe. O excedente econômico global é apropriado na marra pelas forças segundo suas intensidades; depois arma-se a mais ruidosa algaravia para dar a impressão que do caos e de processos fratais em cornucópia emergem reservas e mais reservas patrimoniais: seguros de negócios, de mau-negócios, de lucros cessantes, de lucros virtuais, de saúde, de doença física e mental, de aposentadoria e mil outras formas de riqueza mobiliária. É o intenso troca-troca de “posições” ativas, cujos correlatos passivos vão sendo atirados e empilhados sobre as costas dos mais pobres e de seus presentes e futuros descendentes até não se sabe que geração. O decantado mercado de capitais é tão somente um mercado secundário, diz-se bem – o grande mercado de “objetos” adrede furtados.

São discriminados e intensamente combatidos, para parecer que no ar há propósitos e em terra governos responsáveis, apenas cocaleiros andinos e pequenos batedores de carteira alegando-se que agem à margem dos ritos consagrados de mercado. Na verdade, são discriminados para serem, destarte, in-criminados.

E quanto mais fingimos não ver tudo isto e calamos, mais cínicos clamamos por ética: Ética na empresa! Ética na política! Ética na pesquisa científica! Ética na propaganda! E até, pasmem, ética nas coisas e enredos do inconsciente. Onde vamos encontrar ética para suprir tanta falta ... de ética?!

Comportamento ético, para nós, devia ser comportamento autêntico referenciado seja à cultura estabelecida, seja a uma hipotética condição humana. Ser ético, no primeiro caso, é ser conforme à lógica e aos valores de uma cultura estabelecida: em suma, é optar pelo valor-tradição; no segundo caso, é ser conforme à lógica e aos valores do ser humano em estado de uma presumível plenitude: em suma, é optar pelo valor-utópico.

Refletindo apenas um pouco, vemos quão distantes vão hoje estas duas referências fundamentais, o que nos põe diante de uma radical escolha: ou nos abandonamos cinicamente à cultura científica moderna, deixando de lado, em definitivo, quaisquer pruridos de ordem ética, ou nos damos conta de que esperança há, que é pois chegada a hora de lutar por uma cultura nova onde as duas referências poderão vir a coincidir. Aí então, nem mais ouviremos falar desta tal de ética...

Nunca foi tão fácil como hoje mudar o mundo! E, no entanto...

Nunca foi tão fácil como hoje mudar o mundo, e no entanto ninguém mexe uma palha para tanto! Mudar para melhor, naturalmente, porque, para pior, não há mesmo muito mais a fazer. Parecemos todos cansados, desesperançados, deprimidos como se a História tivesse chegado ao fim; aliás é precisamente isto que insistentemente nos quer fazer crer o “diligente funcionário filósofo” Fracis Fukwyama. 

Hoje, restritos grupos dominantes retiram direitos elementares de massas imensas de trabalhadores; meia dúzia de moleques/operadores a serviço de alguns fundos internacionais e mega-investidores provocam graves abalos na economia de países periféricos trazendo a incerteza a milhões de famílias já à beira da miséria; um grupelho de testas de ferro e “funcionários públicos” graduados fazem aquela festa pornográfico-bursátil, agarrando todos juntos o mesmo pau, simbolizando a apropriação privada quase de graça de uma montanha de bens públicos penosamente acumulados. E ninguém reage! Apenas trinta ou quarenta anos atrás ninguém se atreveria a tamanha demonstração pública de banditismo, crueldade e falta de pudor. Como pode o nosso mundo em tão pouco tempo mostrar a cara que verdadeiramente sempre teve, mas, por séculos zelosamente escondia? 

A total falta de resistência está fazendo com que as coisas cheguem rapidamente a extremos inimagináveis. Foram necessários dezenas de milhares de anos para que a TERRA, uma dádiva divina, fosse inventariada, medida e depois submetida à apropriação privada em toda a sua extensão e mínimos recantos. Haviam as estradas e pistas de aeroportos, mas estas estão sendo rapidamente reapropriadas; e quem de nós hoje não deseja colocar uma guarita, contatar um guarda armado e privatizar a ruazinha onde mora? 

Agora, em apenas algumas dezenas de anos, a pretexto de uma iminente suposta escassez de água potável no Planeta, declara-se alto e bom som a ÁGUA um bem econômico, preparando assim a sua próxima apropriação privada. Vaticinamos: não passarão mais do que dez anos e o AR, já poluído pelo próprio sistema industrial predatório, virá ser declarado bem econômico e assim também pronta para a imediata privatização. Daí por diante, quem quiser respirar, que pague. Eis a racionalidade profunda da não adesão americana ao protocolo de Kioto. Isto vem da física mais conspícua: a falta de resistência é, por definição, a causa eficiente da supercondutividade do mal, por isso em apenas algumas horas ou minutos após a privatização do ar, virá a do FOGO: um conjunto de satélites-espelhos adrede colocados em órbitas otimizadas (para satisfação e orgulho nacional (americano), lançados da base de Alcântara) eclipsará totalmente a luz do SOL para a seguir redistribuí-la segundo a “demanda”, corrigindo assim a irracionalidade e despropositada prodigalidade divina. Como nos conta o “sutil” Peter Sloterdijk, o presidente Thomas Jefferson em pessoa, sabido poliglota, passara muitas e muitas noites com sua meia dúzia de Bíblias e uma tesoura fazendo sua própria remontagem do Evangelho, escoimando-o de inconveniências, maus exemplos e absurdos milagres?!
Obviamente teremos a ANS – Agência Nacional do Sol – que zelará pela boa aparência da farsa concorrencial e o PROCONSOL(O) avantajadamente equipada, para receber as nossas reclamações contra eventuais abusos dos fornecedores do fogo solar. 

Mas aí justamente estarão esgotados os quatro elementos aristotélicos do mundo sub-lunar – TERRA, ÁGUA, AR E FOGO – e não restará à Modernidade e seu modo capitalista de produção outra alternativa senão empreender a desesperada apropriação privada da QUINTA ESSÊNCIA. Será então uma outra história: terá ela que se haver não mais com um exércitos de ex-iguais, exangues e derrotados, mas já então com a Ira Divina em Pessoas e seus exércitos de anjos guerreiros..

Nunca foi tão fácil como hoje mudar o mundo, e ninguém mexe uma palha para tanto! Por que a máscara caiu em tão pouco mais que 30 ou 40 anos? Por que perdemos nosso tempo e dinheiro para comprar e ler o libreto do Sr. Norberto Bobbio, se direita e esquerda hoje são apenas marcas comerciais para angariar sobras de campanha e votos? A verdade, a nosso juízo, é que por trás da Modernidade está e sempre esteve a ciência com seu corpo sacerdotal muito bem ordenado. 

Relembremos um pouco o que sempre soubemos, avisados que fomos até com bastante antecedência.
Três vezes Pedro, homem, negou Cristo, Filho de Deus; exatas três vezes – assim estava escrito (ou inscrito, parte no ADN, parte na estrutura da própria neo-córtex humana). Por isso, foram três, na História, segundo nossa nomenclatura, as culturas lógico-diferenciais – ou culturas do espaço, segundo o preclaro teólogo da cultura Paul Tillich, ou culturas materialistas, segundo o emérito historiador Arnold Toynbee –, todas a seu modo negando os deuses. Primeiro, foi a cultura neolítica de base agrícola (sumérios, babilônios, assírios e mesmo egípcios) que, sentindo-se ainda muito débil, apenas tentou corromper os deuses com sacrifícios de animais e bichos-homens, presentes caros e encantos mito-poéticos. Depois veio, já mais destemida, a cultura trágica greco-romana, prometéica assumida, que enfrentou de peito aberto os deuses. Enfim, chegamos a presente cultura cínica científica moderna, que simplesmente decidiu pela demissão sumária dos deuses. Quem hoje no Ocidente acredita no Juízo Final pelo qual se decidiria a salvação de cada um de nós? Os ricos já não morrem; fazem contratos com instituições comercias/científicas para terem seus corpos congelados e oportunamente despertos. Por isso já não carecem de missas fúnebres e de nossas preces para lhes facilitar uma imaginada, não se sabe como, ressurreição da carne. Os pobres fornecem seus cordões umbilicais anônimos, recheados de células tronco, para o bom funcionamento da pesquisa científica, enquanto que os ricos congelam o de seus filhos para que, amanhã, se necessário, daí gerarem clones de seus próprios órgãos de reposição por transplante ou, de modo mais modesto, produzirem “material” para ratificar seus seios e bundas, sem os inconvenientes dos enxertos de silicon. 

Nunca foi tão fácil como hoje mudar o mundo, e ninguém mexe uma palha para tanto! Ora, já conseguimos saber que o grande vilão nesta história é a ciência. Então por que não a controlamos, não lhe pomos os freios e orientações convenientes? A resposta já está dada: simplesmente porque é dela e somente dela que hoje esperamos a vida eterna; porque dela fizemos a nossa religião sem Deus.

A nosso modesto juízo, entretanto, a verdadeira salvação não pode vir antes do tempo, antes que o homem tenha atingido sua própria maturidade lógica, antes de encontrarmo-nos coletivamente numa cultura lógico-identitária (para Tillich, cultura do tempo; para Toynbee, cultura espiritual) que venha suceder a Modernidade. Fazer da ciência – pura criação humana – o suporte ideológico de qualquerda religiosidade é rematada loucura. A religião científica é ainda, pois, uma religião idolátrica. A última, diga-se de passagem. Não há atalhos lógicos: antes, teremos que alcançar a cultura nova, a nova cultura lógico-hiperdialética após-modernidade.

Com o advento de uma cultura nova, por suposto, a ciência não será banida, mas simplesmente transformada de fim em meio. Apenas como a grande e decisiva arma da luta de classes, sim, será ela definitivamente banida.

Nunca foi tão fácil como hoje mudar o mundo! Bataria soprar forte, síncrono, naturalmente, a favor da história. Bastaria deveras muito pouco, não fosse nossa incomensurável insensibilidade à miséria e a dor do outro, tudo por um pouco mais de grana... e a ilusão da salvação comprada. Guardadas as proporções, somos todos clones morais do senhor hoje do mundo, do nosso Senhor George W. Bush

5.4.17

O próprio presidente reconhece que não pode errar, mas não tem a menor chance de acertas, se antes não mudar radicalmente

Em Condições para o efetivo ingresso no Terceiro Milênio, trabalho recente, texto sofrido pela exigência que nos impusemos da mais extrema objetividade, concisão e comunicabilidade, estabelecemos três e apenas três condições para a revivescência do pensamento e ação utópicos:

a) reconhecer a insuficiência do pensar dialético, devendo-se por isso buscar um pensar superior, de caráter hiperdialético; apenas este ultimo, por sua maior complexidade, será capaz de subsumir a ciência e assim viabilizar uma crítica radical da Modernidade (ou do capitalismo, se quisermos);

b) passar do registro econômico ao cultural, muito mais abrangente; acabar de vez com a palhaçada de subdividir o social em político, econômico e social e não, como se faz corretamente em todo mundo, em político, econômico e cultural; o que por aqui se chama social não é outra coisa que o a banda podre do econômico mesmo; esta duplicação do econômico, verso e anverso, bom e mau, só serve para operar a eliminação do que realmente importa, o povão: ao invés do povão-cultural, criativo, rico de vivência e sabedoria, resistente, um forte, tem-se apenas o povão-social, quase analfabeto, sem saúde e sem teto, desdentado, um fraco;

c) não jogar fora o que temos de melhor, nossa vivência histórica que nos colocou num ponto de vista muito especial, o ponto de vista Brasil, um dos poucos, senão o único hoje no mundo de onde se pode olhar de frente a história; não se deve pois cair no internacionalismo babaca, invariavelmente orquestrado por algum país de esperta liderança chauvinista; internacionalismo sim, mas de iguais, quando um dia o ajudarmos a implantar.

O PT errará nas três, não porque exista algo de essencialmente errado com o partido; até pelo contrário, na história do Brasil, como partido, ele seja o mais exemplar. O PT errará pela simples razão de que ele se assume um partido de esquerda e a esquerda, depois da derrocada do socialismo real, ficou na verdade, sem qualquer bandeira, condenado a escolher entre o socialismo “ideal”, algo mais ou menos equivalente, em termos lógicos, à mula sem cabeça ou a tornar-se um corpo político vago penando pelo mundo sustentado com migalhas de ongs e banqueiros, na deprimente função social de ocupar lugar, impedindo que surja qualquer iniciativa de verdadeiro (ou até mesmo pretenso) pensar transformador.

Luiz Inácio Lula da Silva, como bom homem de partido errará junto, honesto e convicto em todas as três direções: praticará sua dialética (negociação) à exaustão; fará o máximo pelo social, começando pela erradicação da fome; alimentará uma esperança na solidariedade ou pelo menos na compreensão internacional e em sua instituições. Vejamos cada um destes altamente prováveis equívocos com algum detalhe:

a) O Presidente não se cansa de afirmar sua disposição de negociar, negociar à exaustão. Para ele negociar é exercício da dialética, a velha luta de classe democraticamente ambientada (seria o sucedâneo da velha dialético que animava a também antiquada luta de classes). No entanto, negociar para a modernidade em sua fase etnocida é apenas um instrumento a serviço do cálculo. não passa de uma versão capitalista degenerada ou já domesticada da lógica dialética. Não há mais História, nada irá mudar, mas ninguém está condenado à inação e poderá sempre negociar algum deslocamento marginal desde que nada aconteça á ciência, consequentemente, ao capital.

Isto quer dizer que enquanto o Presidente como um dialeta negocia, o lado oposto finge, porque bem antes já calculara, faz da negociação um instrumento de sua lógica de calculo do mundo, ou seja, da morte. Com o tempo, o Presidente irá descobrindo que desde a primeira rodada de conversações ele esteve verdadeiramente a negociar a própria cabeça que já era um objetivo de cálculo do outro. Em suma negociar no mundo moderno é negociar a própria cabeça, para tal dia ou um pouco mais tarde. Bem ao contrário, quando o Presidente fosse negociar ele precisaria antes ter uma visão hiperdialética do jogo social e enquanto o outro estivesse negociando a sua cabeça ele estaria negociando para, mais adiante, dar um cheque mate na morte de sua morte, ou seja, driblar o fim da modernidade cínica. Aí poderia até ser bem fácil. Mas quando a esquerda vai largar Hegel de mão.?

b) Quem não se sensibiliza pelo problema da fome. O Presidente deveria delegar ao seu mordomo a solução do resolver o problema da fome em 1 ano, seis meses elem precisaria ocupar seu tempo com coisas um pouco mais complexas, misto é, de tempo para se dedicar à cultura, que é de onde pode vir a salvação. Infelizmente, pelo andar da carruagem, ele insistirá na prevalência do econômico, e o pior, na contraposição do econômico versus social, isto é, do econômico bom versus o econômico mau, concepção social onde o povâo só entra no aspecto dito social, como faminto, desabrigado, analfabeto, doente e desdentado, e não pelo que tem de melhor, sua imensa contribuição à riqueza cultural do Paí.

Mais valia versus distribuição de renda correlação inversa.

Dependencia teconlógica. Pacto povão classe média.

c)se fiará numa solidariedade internacional que simplesmente irá deixá-lo na mão;

China sócia dos EUA, na oferta de maõ de obra a 50 dólares ao mês por 10m0ou 12 horasc de trabalhom e o barateamento dos transplant. e Japão só tópico

Europa não sabe o que fazer

EUA quer esnmagar

Mas isso significa, de fato, um fracasso político aos olhos do mundo capitalista? É obvio que não, pois lhe resta o a tarefa de guiar seu povo sem grandes sobresaltos ao paraíso neo-liberalismo e entrar, assim, para a melancólica galeria dos socialista históricos: Mitterand, Felipe Gonzales, L. Walleska, Mário Soares, para não falar no “trabalhismo” do Tony Blair. Luiz Inácio Lula da Silva, quem sabe, saindo-se bem, não irá se juntar a eles .

Todo mundo vai ler isso e dizer que não entendeu nada ....até o dia do inexorável encontro com o real.



O descalabro

A situação do País é escabrosa, muito pior do que imaginava a oposição mais raivosa. Os juros das dívidas interna e externa exaurem os orçamentos do País. Mais da metade do parque industrial e do sistema bancário está em mãos estrangeiras. Mais de 50% do comercio exterior está controlado por empresas estrangeiras, que só exportam um pouco mais na medida em que deixam de pagar impostos (as importações, na verdade, são financiada às custas da educação e do cuidado com a saúde da populaça, especialmente dos velhos) e o pior de tudo, de 60 a 70% da formação bruta de capital), ou seja, do que poderia se tornar investimentos produtivos está em mãos estrangeiras, que além do poder de deslocar os investimentos daqui para lá a seu bel prazer, podem inclusive transferi-los para o exterior. Os governos da dita Nova República, seguiram um só modelo: a venda dos interesses brasileiros ao interesses internacionais. Com a desnacionalização os empregos qualificados foram simplesmente dizimados. Na balança de serviços, onde deve se esconder uma enorme transferencia de empregos qualificados para o exterior, ninguém fala .A situação de qualquer governo, Lula ou lá o que fosse, é quase desesperadora. Calar sobre isso, mesmo sem ameaçar de processo os criminosos responsáveis, sem anular contratos ou querer renegociá-los é pura conivência. O povo tem o direito saber a verdade. È preciso liquidar com a era FHC e até mesmo com sua sombra nefasta. Isto é, no mínimo, uma questão de segurança para o novo governo. O livro branco, feito por uma comissão de intelectuais a-partidários.


A governabilidade

O governo LIdaS não dispõe de recursos públicos para comprar o congressistas nem mesmo na proporção que fez FHC só para se reeleger. Imaginem quanto custaria arrancar meia dúzia de medidas em favor do povo brasileiro? Poderia então apelar para a velha política dos governadores. Infelizmente, também aqui as coisa estão mal-paradas. Os governadores dos principais estados querem o seu fracasso assintótico, sendo de se notar que o de São Paulo, filiado ao PSDB, não tem a alternativa da reeleição. Bem, ainda resta o povo, a sociedade civil. Neste caso acabará acelerando sua derrocada porque não terá condições de controlar os agentes infiltrados (em vez de um, milhares de cabos cabos anselmos).

Do ponto de vista externo certamente os falcões que dominam a Casa Branca cedo lhe darão um ultimato. Há algumamas opções, que não vamos com entar porque não estamos aqui para entregar o ouro ao bandido.


A única saída para simplesmente sobreviver


Mobilização da sociedade civil, liderada pela classe média intelectualizada. Pacto social entre povão e classe média. Esta última teria que assumir dois importantes papéis Lutar por uma relativa independência tecnlófgica e assumie a tarefa de educação do povão tendo comontra partida a recversão do seu esvaziamento, pela ampliação das oportunidades docentes, nos trabalhos de pesquisa, na formação de novas pequenas e médias empresas de base tecnológica, reconquista dos empregos exoportados. A chasse média podeia aumentar a concorr~encia aos seu s´próprios filhos porque seus espaço estari sendo ampliado. Este é o grave problema de toda a América lLatina, onde a cM não assume seu papel porque seria criar uma concorrencia a si mesma . É essa arazão profunda dao problema da distribuição de renda, que nada tem a ver com o empresariado. A taxa de mais va3lia tem correlação inversa com a assimetria no perfil de distribuição de renda. Este é um dado disponível a quem quiser vê-lo.

Para tanto, o governo deve se dar conta que seus três ministros chaves são o da Educação, da Cultura e das Comunicações 9pelo que deverá trabalhar com as empresas de radiodifusão para cumprirem, pelo menos, suas obrigações constitucionais, aliás a única coisa que FHC acertou, embora , o das telecomunicações para o pior dos usos

Mas

Mas se estivéssemos errados justamente no primeiro item deste trabalho....aí, não sabemos. O lula exitoso poderia escapar a ser incluído na galeria dos

No exterior os EUA não podem deixar o seu mal exemplo prosperar e já tem planos para fazê-lo renunciar.

. Isto implica uma reforma profunda do sistema educacional, com a liquidação do corporativismo que em algumas áreas já corroeu o ensino público. Na minha experiência, o maior inimigo do ensino público, é o professor, depois a apatia dos alunos e só em terceiro lugar o FHC.

31.3.17

A modernidade

A Modernidade não se caracteriza apenas como um modo de produção; ela é na verdade uma cultura governada, na superfície (1), pela lógica clássica, lógica do terceiro excluído, concretamente, pela ciência e, subsidiariamente pela lógica do sujeito transcendental ou do individualismo. Dito há muito, a Modernidade anglo-saxônica, na superfície, é ciência e consciência (2). Sabemos que toda cultura, ao sentir-se de fato ameaçada, finge ser sua própria posteridade; a pós-modernidade que tanto se anuncia por aí é uma ilustração, bem atual, deste estratagema; mas não há cultura que possa suceder a si mesma. Não adentramosainda uma nova cultura; permanecemos na Modernidade que, dizendo ser seu próprio futuro, na verdade, começa a dar inequívocos sinais de declínio

As ideologias são impotentes para fazer uma crítica em profundidade da Modernidade; embora sejam capazes de diagnósticos parciais, acabam se aliando à ciência, se pretendem mesmo ciência, e, na prática propõem apenas a substituição do sujeito da ciência, ou seja, almejam tão apenas o capitalismo perfeito.

Sendo a Modernidade uma cultura, somente um pensar crítico da cultura (uma filosofia da cultura?!) poderá demonstrar que não chegamos ao fim da História e que certamente há ainda algo por se conquistar no horizonte histórico da cultura. E. Cassirer defende que a filosofia  hoje deva assumir como principal tarefa a crítica da cultura, entretanto ele pouco consegue realizar porque aceita que a ciência seja o saber máximo a que possamos almejar (3).


NOTAS


1. Isto apenas na superfície, pois tudo começa com o processo de caça às bruxas, que outra coisa não é que a construção dos porões da modernidade onde serão encarcerada a irracionalidade, vale dizer, as lógicas femeninas.
2. Rabelai já dizia que:  . Mais recentemente, Richard Morse e E. Morin repetem esta mesma fórmula sintética.  

Lei do Ventre Livre


O caráter intelectual do povo alemão já possui naturalmente tal tendência. Portanto, basta dar liberdade aos alemães...

Wilhelm von Humboldt

 

Todo brasileiro é apaixonado por automóvel

de um conhecido comercial da TV “brasileira” 

Cada brasileiro, hoje, ao nascer assume uma dívida de aproximadamente US$ 3.000 . A taxa média  anual de crescimento é de cerca de 8% ao ano, de sorte que quando alcançar 18 anos de idade, sua dívida será de cerca  4 vezes maior, ou seja, US$ 12.000. Terá que pagar em média 8% anualmente, ou seja, US$ 960 anuais, aproximadamente,
1900 Reais , um salário mínimo por ano.
Não estamos considerados os seguintes fatores agravantes :
a)diminuição do patrimônio nacional transferidos para o controle de estrangeiros;
b)danos ecológicos;
c)tendência histórica de deterioração das relações de troca;
d)que a maioria dos ricos não irá pagar esta conta, ou porque é o próprio credor (aplicação de nacionais no exterior), ou é sócio destes interesses externos ou porque é corrupto mesmo.

Em função destes dados exige-se que o  Congresso Nacional,
seja imediatamente revigorada a  LEI DO VENTRE LIVRE estabelecendo que nenhum governo poderá assumir novas dívidas, amortecendo-as numa taxa tal que em 18 anos não nasce no Brasil nenhum cidadão sob os grilhões de uma dívida que ele em nada se beneficiou. Obviamente o Governo deve apresentar as medidas legislativas e fiscais que viabilizem a consecução deste objetivo, fazendo com que 70% de seu peso recaia proporcionalmente à renda de todos os brasileiros e 30% proporcionalmente ao patrimônio relevante (acima de 200.000 Reais) de todos os brasileiros  

As primeiras assinaturas (500) estão reservadas, como uma homenagem, aos descendentes dos Grandes Abolcionistas, depois aos oficiais generais na reserva de nossa três Forças Armadas representando todos os que lutaram pelo Brasil,  seguem-se a dos principais participantes da feitura deste documento e depois todos aqueles que quiserem consciente e voluntariamente aderir.



  

Os epígonos da cientificismo moderno

Xamãs que foram forçados a aprender
a irreversibilidade dos mitos/poéticos, mas persistiram,
tornaram-se profetas;
profetas que foram forçados a aprender
a irreversibilidade da filosofia, mas persistiram,
tornaram-se teólogos;
teólogos que estão sendo forçados a aprender
a irreversibilidade da ciência, ao persistirem,
tornar-se-ão enfim boa gente.
Na cultura nova,
não serão necessários xamãs, profetas e teólogos;
quanto a poetas, filósofos e até mesmo cientistas,
ainda terão lá alguma serventia.

O diagnóstico e a cura improvável da idiotice analítica

Luiz Sergio Coelho de Sampaio

Homem e linguagem I/D/D
A doença : a ambiguidade de I/D/D como defeito. Busca da linguagem formal
Método: listar acepções separáveis, parar quando esgotar sua capacidade ou que é suficiente para enganar os trouxas. Definir  valor semântico como união dos acepções excluindo o resto isto é, matar o poder conotativo ou metafórico.
Se aparecer algum uso irrefugável abrir e fechar a lista até a próximo problema.
Destituir o absoluto e colocar o infinito em seu lugar.
Wittgenstein acha que resolvidos os problemas científicos e filosóficos não nem se quer tocado  nos problemas humanos. Logo quis mostrar a impotência também da filosofia eu não gozo mas também ninguém goza, com que afinal eu gozo.
Só assim porque a filosofia não se assume lógico-hiperdialética.
Obsessividade versus obsessividade como neurose assumida para evitar uma psicose maníco depressiva ou pior; prótese superegóica.. A primeira talvez tenha cura  mas a Segunda talvez tenha sim agravamento.






Breve tratado teo-lógico

Proposições fundamentais:
I (y) = I(I(y)) para o Eterno, não há outro que possa ser por si
D(y) =D(D(D(y))) a Criação para o Eterno é apenas outro; no entanto, para o outro será seu processo de auto-desvelamento passando necessariamente por três negações (fenomenologia do espírito qüinqüitário): proto-D ou sedentária neolítica, D ou greco-romana e D/D ou científica moderna. 

28‎ de ‎outubro‎ de ‎2001

Breve ‘fenomenologia do espirito’ qüinqüitário

Xamãs que foram forçados a aprender
a irreversibilidade dos mitos/poéticos, mas persistiram,
tornaram-se profetas;
profetas que foram forçados a aprender
a irreversibilidade da filosofia, mas persistiram,
tornaram-se teólogos;
teólogos que estão sendo forçados a aprender
a irreversibilidade da ciência, ao persistirem,
tornar-se-ão enfim gente de verdade.
Na cultura nova,
não serão necessários xamãs, profetas e teólogos;
talvez se encontre por lá alguma serventia
para poetas, filósofos e até mesmo cientistas.

Agora, sim, fica bem clara qual foi a lógica
e, na fenomenologia, o ”espírito” operoso.

‎19‎ de ‎janeiro‎ de ‎2002



A lógica da cartola


Foi até bastante fácil tirar da cartola (lógica) um robusto casal de pombos. Bastou abrir as mãos e partiram eles céleres sobrevoando a platéia. O ritmo do bater de asas puxou, em uníssono, palmas da primeira à fila mais longínqua. Entusiasmados, pediram: um coelho, como seria mesmo de praxe! Também não foi difícil. Houve palmas, no entanto, surpreendentemente, já menos intensas. Vamos, nos dê prova que é mesmo o melhor: retire agora vivo um belo cabrito! Algumas dificuldades apareceram, malgrado, agarrei o bicho lá dentro pelos chifres e o expus de quatro atônito sobre o tablado. Os aplausos tornaram-se preguiçosos e raros; e dava para se ouvir bem os primeiros apupos. Alguém arriscou aos berros: um dromedário! e logo todos o seguiram. Foi necessário solicitar alguma ajuda na hora certa de por para fora a enorme corcova; afinal, acabou passando. Emitiram, à uma, um oh prolongado, do mais profundo desgosto. Entrementes, piedoso e cheio de coragem, alguém fez mais alta sua voz: sejamos justos! Que lhe seja dada a chance derradeira: um elefante e aí, sim, desistimos! Um zás de silêncio e, de repente, se fizeram unânimes cada um a seu modo: grande parte urrando, outros assobiando com dois dedos enfiados na boca, todos batendo mais forte que podiam os pés no chão; estavam todos a olho nu ensandecidos.

Conjeturo cá comigo: é muito peso e, a esta altura, me sinto um pouco cansado. Depois, não há mais como postergar a escolha: o sucesso já ou, quem sabe um dia, a História. Fico com os netos.

L. S. C. de Sampaio
Rio, 20 de outubro de 2001